História


::Morro do Boi visto de Matinhos- 1949::
  Um Breve Resumo

 

Entre Caiobá e Pontal do Sul, a praia arenosa é interrompida, por algumas dezenas de metros, por um costão rochoso de altura insignificante.Nesse local, quem viajava de Paranaguá a Guaratuba pela orla marinha era obrigado a deixar a praia e atravessar um trecho de restinga de pouco mais de 100 metros, para então retornar à praia até chegar a Caiobá.
Esse trecho arenoso de mata baixa(mata de restinga, rica em epífitas) era conhecido como Matinho(sem o “s”).Em suas imediações, ao norte, desaguava um pequeno rio, que recebia topônimo homônimo.Era o Rio Matinho, já referido em 1820 por Saint Hilaire, atualmente retificado e canalizado.
A designação de Matinho, usual naqueles tempos, encontra-se nos mapas antigos.Com a chegada dos banhistas, o nome original foi alterado para Matinhos.
A mata de restinga já não existe, dela nada restou!Era o “Matinho” daqueles poucos que aí moravam ou por aí passavam.Do matinho derrubado surgiu Matinhos, a cidade.
Conhecemos parte do que fora o “matinho”.Freqüentamos o balneário de Matinhos desde 1931.De certo modo, acompanhamos seu desenvolvimento através dos anos, a princípio muito lento e ultimamente acelerado e desordenado.No começo, apesar de não oferecer as facilidades da cidade, era um lugar aprazível e encantador.
Os primeiros vestígios da presença do homem na região foram encontrados no Sambaqui de Matinhos.Trata-se de remanescentes culturais de um povo que viveu no litoral do Paraná aproximadamente entre 3.000 e 5.000 anos passados, muito antes da presença do índio carijó.
Com a ocupação do território pelos portugueses, houve a miscigenação das culturas indígena e européia, que deu origem ao caboclo.Muito pouco se sabe a respeito da história da região de Matinhos e de seus primeiros povoadores, cujos descendentes aí viviam no início do estabelecimento dos balneários de Caiobá e Matinhos.
Isolados do resto do estado, os caboclos conservavam certos traços culturais herdados do indígena e do elemento lusitano.As enormes dificuldades de sobrevivência tornaram seu modo de vida extremamente simples, sem maiores preocupações artísticas com os utensílios do dia a dia, além daqueles de sua utilização prática.
Com o crescimento dos balneários, muita tradições caboclas desapareceram, como o estilo das casas, os aspectos da cozinha, o engenho de mandioca, etc.A tradição da pesca adaptou-se as novas exigências da comunidade.A canoa a remo e a vela foi substituída pela de motor 2 tempos.
Matinhos ficou sob a administração de Guaratuba até 31 de Julho de 1938, quando o município homônimo foi extinto e anexado ao de Paranaguá. Ao ser restabelecido em 11 de Outubro de 1947, o Município de Guaratuba perdeu a região de Matinhos. que ficou no território parnanguara.No dia 12 de Junho de 1967 foi promulgada a lei de emancipação do Município de Matinhos, que foi formalmente instalado em 19 de Dezembro de 1968.
A paisagem do Município de Matinhos é diversificada, compreendendo parte do maciço montanhoso da Serra da Prata e amplas áreas da planície costeira da Praia de Leste.Cada conjunto apresenta características próprias do ponto de vista geográfico, geológico e dos recursos naturais renováveis e não renováveis.

Trechos retirados do livro- Matinho: Homem e Terra/ Reminiscências...
Autor: João José Bigarella
Leia a obra completa que é muito interessante e enriquecedora.
Direitos: Prefeitura Municipal de Matinhos e Fundação João José Bigarella para Estudos e Conservação da Natureza.


Uma viagem nos idos de 1820...
Auguste Saint Hilaire, famoso naturalista francês, passou por Matinhos e Caiobá.De seu relato, algumas frases e opniões:

“ Para ir de Paranaguá a Guaratuba era preciso que houvesse pirogas e remadores para chegar à extremidade da baía(Pontal de Paranaguá).Após desembarcar no Pontal, era preciso encontrar carroças puxadas por bois, que pela orla do mar me levassem e à minha bagagem até a “baía de Caiobá”.
“Havia muito que o sol desaparecera quando partimos.Costuma-se percorrer de noite essa praia, porque os bois andam mais depressa sem a claridade do dia”.
“De madrugada chegamos à embocadura dum riozinho chamado Rio Matinho.Aí foi preciso esperar a maré baixa para que se pudesse passar”.
“De Matinho à Caiobá o terreno eleva-se acima da praia, com uma vegetação cheia de arbustos.É de se crer que vegetação semelhante margeia também a extensão da praia que a noite percorrêramos”.
“ Caiobá é uma enseada semi-circular designada como Baía de Caiobá.Nesse lugar o terreno não é mais baixo e alagadiço como em Paranaguá.Montes elevados e cobertos de mato estendem-se até o mar, e não permitem mais aos carros de bois costear.O caminho não é praticável senão por cavaleiros e pedestres.”

Trechos extraídos e adaptados do livro de Saint Hilaire : “Viagem no interior do Brasil”, publicado em 1851, traduzido em 1931 por David Antonio da Silva Carneiro e editado por J.B. Groff, em Curitiba.