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Entre Caiobá e Pontal do Sul, a praia arenosa
é interrompida, por algumas dezenas de metros, por um costão
rochoso de altura insignificante.Nesse local, quem viajava de Paranaguá
a Guaratuba pela orla marinha era obrigado a deixar a praia e atravessar
um trecho de restinga de pouco mais de 100 metros, para então
retornar à praia até chegar a Caiobá.
Esse trecho arenoso de mata baixa(mata de restinga, rica em epífitas)
era conhecido como Matinho(sem o “s”).Em suas imediações,
ao norte, desaguava um pequeno rio, que recebia topônimo homônimo.Era
o Rio Matinho, já referido em 1820 por Saint Hilaire, atualmente
retificado e canalizado.
A designação de Matinho, usual naqueles tempos, encontra-se
nos mapas antigos.Com a chegada dos banhistas, o nome original foi
alterado para Matinhos.
A mata de restinga já não existe, dela nada restou!Era
o “Matinho” daqueles poucos que aí moravam ou
por aí passavam.Do matinho derrubado surgiu Matinhos, a cidade.
Conhecemos parte do que fora o “matinho”.Freqüentamos
o balneário de Matinhos desde 1931.De certo modo, acompanhamos
seu desenvolvimento através dos anos, a princípio
muito lento e ultimamente acelerado e desordenado.No começo,
apesar de não oferecer as facilidades da cidade, era um lugar
aprazível e encantador.
Os primeiros vestígios da presença do homem na região
foram encontrados no Sambaqui de Matinhos.Trata-se de remanescentes
culturais de um povo que viveu no litoral do Paraná aproximadamente
entre 3.000 e 5.000 anos passados, muito antes da presença
do índio carijó.
Com a ocupação do território pelos portugueses,
houve a miscigenação das culturas indígena
e européia, que deu origem ao caboclo.Muito pouco se sabe
a respeito da história da região de Matinhos e de
seus primeiros povoadores, cujos descendentes aí viviam no
início do estabelecimento dos balneários de Caiobá
e Matinhos.
Isolados do resto do estado, os caboclos conservavam certos traços
culturais herdados do indígena e do elemento lusitano.As
enormes dificuldades de sobrevivência tornaram seu modo de
vida extremamente simples, sem maiores preocupações
artísticas com os utensílios do dia a dia, além
daqueles de sua utilização prática.
Com o crescimento dos balneários, muita tradições
caboclas desapareceram, como o estilo das casas, os aspectos da
cozinha, o engenho de mandioca, etc.A tradição da
pesca adaptou-se as novas exigências da comunidade.A canoa
a remo e a vela foi substituída pela de motor 2 tempos.
Matinhos ficou sob a administração de Guaratuba até
31 de Julho de 1938, quando o município homônimo foi
extinto e anexado ao de Paranaguá. Ao ser restabelecido em
11 de Outubro de 1947, o Município de Guaratuba perdeu a
região de Matinhos. que ficou no território parnanguara.No
dia 12 de Junho de 1967 foi promulgada a lei de emancipação
do Município de Matinhos, que foi formalmente instalado em
19 de Dezembro de 1968.
A paisagem do Município de Matinhos é diversificada,
compreendendo parte do maciço montanhoso da Serra da Prata
e amplas áreas da planície costeira da Praia de Leste.Cada
conjunto apresenta características próprias do ponto
de vista geográfico, geológico e dos recursos naturais
renováveis e não renováveis.
Trechos retirados do livro- Matinho:
Homem e Terra/ Reminiscências...
Autor: João José Bigarella
Leia a obra completa que é muito interessante e enriquecedora.
Direitos: Prefeitura Municipal de Matinhos e Fundação
João José Bigarella para Estudos e Conservação
da Natureza.
Uma viagem nos idos de 1820...
Auguste Saint Hilaire, famoso naturalista francês, passou
por Matinhos e Caiobá.De seu relato, algumas frases e opniões:
“ Para ir de Paranaguá a Guaratuba
era preciso que houvesse pirogas e remadores para chegar à
extremidade da baía(Pontal de Paranaguá).Após
desembarcar no Pontal, era preciso encontrar carroças puxadas
por bois, que pela orla do mar me levassem e à minha bagagem
até a “baía de Caiobá”.
“Havia muito que o sol desaparecera quando partimos.Costuma-se
percorrer de noite essa praia, porque os bois andam mais depressa
sem a claridade do dia”.
“De madrugada chegamos à embocadura dum riozinho chamado
Rio Matinho.Aí foi preciso esperar a maré baixa para
que se pudesse passar”.
“De Matinho à Caiobá o terreno eleva-se acima
da praia, com uma vegetação cheia de arbustos.É
de se crer que vegetação semelhante margeia também
a extensão da praia que a noite percorrêramos”.
“ Caiobá é uma enseada semi-circular designada
como Baía de Caiobá.Nesse lugar o terreno não
é mais baixo e alagadiço como em Paranaguá.Montes
elevados e cobertos de mato estendem-se até o mar, e não
permitem mais aos carros de bois costear.O caminho não é
praticável senão por cavaleiros e pedestres.”
Trechos extraídos
e adaptados do livro de Saint Hilaire : “Viagem no interior
do Brasil”, publicado em 1851, traduzido em 1931 por David
Antonio da Silva Carneiro e editado por J.B. Groff, em Curitiba. |